Nesta coletânea de contos, Luís da Câmara Cascudo reúne uma centena de narrativas tradicionais da literatura oral brasileira, registradas com o cuidado e a maestria que caracterizam a obra deste incansável e apaixonado pesquisador da cultura nacional. De autoria desconhecida e sujeitas a adaptações ao longo do tempo, estas histórias são mantidas vivas no repertórios oral nacional por sucessivas gerações de narradores populares. Nelas estão registradas a imaginação, a malícia e a sabedoria do povo brasileiro.

O AUTOR

Nome

Luís da Câmara Cascudo

Nascimento

1898, Natal (RN), Brasil.

Língua

Portuguesa

Sobre Câmara Cascudo e sua obra

O LIVRO

Título

Contos tradicionais do Brasil

Editora

Global

Contos

  1. O fiel Dom José
  2. Os compadres corcundas
  3. A princesa de Bambuluá
  4. A princesa do Sono-Sem-Fim
  5. Bicho de palha
  6. O veado de plumas
  7. O príncipe Lagartão
  8. A princesa Jia
  9. Almofadinha de ouro
  10. Maria Gomes
  11. O marido da Mãe d’Água
  12. O papagaio real
  13. O filho da burra
  14. O espelho mágico
  15. Os três companheiros
  16. A banda da coroa
  17. A princesa serpente
  18. O peixinho encantado
  19. Os sete sapatos da princesa
  20. A rainha e as irmãs
  21. A princesa sisuda
  22. A princesa e o gigante
  23. Couro de piolho
  24. O Chapelinho Vermelho
  25. A bela e a fera
  26. A Moura Torta
  27. Pedro, José e João
  28. Maria de Oliveira
  29. A menina dos brincos de ouro
  30. Quirino, vaqueiro do rei
  31. O bem se paga com o bem
  32. Os quatro ladrões
  33. O chapim do rei
  34. A história do papagaio
  35. O velho ambicioso
  36. O mendigo rico
  37. Mata-Sete
  38. As três velhas
  39. O conde-pastor
  40. Joãozinho e Maria
  41. O Pequeno Polegar
  42. Seis aventuras de Pedro Malazarte
  43. O boi Leição
  44. O sapo e o coelho
  45. A raposa e o cancão
  46. O touro e o homem
  47. Decreto libertador
  48. O cágado e o teiú
  49. O sapo com medo d’água
  50. O gato e a raposa
  51. A raposa e o timbu
  52. A raposa furta e a onça paga
  53. A preguiça
  54. A rolinha e a raposa
  55. A onça e o bode
  56. O bicho Folharal
  57. O macaco e a negrinha de cera
  58. A aranha caranguejeira e o quibungo
  59. O caboclo, o padre e o estudante
  60. A velha amorosa
  61. A gulosa disfarçada
  62. A roupa do rei
  63. Adivinha, adivinhão!
  64. O homem que pôs um ovo!
  65. As irmãs Tatas
  66. Mostrando as prendas
  67. As três favas mágicas
  68. O menino sabido e o padre
  69. O caboclo e o sol
  70. O conselho do doutor doido
  71. O menino e o burrinho
  72. A mulher do piolho
  73. Quem tudo quer, tudo perde
  74. A moça e a vela
  75. Viva Deus e ninguém mais!
  76. Os rins da ovelha
  77. Como a aranha salvou o menino Jesus
  78. Felicidade e sorte
  79. A mãe de São Pedro
  80. Uma lição do rei Salomão
  81. Por que o negro é preto
  82. A causa das secas no Ceará
  83. Cantador de modinhas
  84. A maraçapeba
  85. A festa no céu
  86. A goela e o rabo da baleia
  87. Por que cachorro é inimigo de gato… e gato de rato…
  88. Toca por pauta
  89. O afilhado do diabo
  90. As perguntas de Dom Lobo
  91. Audiência do capeta
  92. O filho feito sem pecado
  93. Frei João sem cuidados
  94. A princesa adivinhona
  95. As testemunhas do Valdivino
  96. A menina enterrada viva
  97. O menino e a avó gulosa
  98. O macaco perdeu a banana
  99. O compadre da morte
  100. A música dos chifres ocos e perfurados

Fragmento

“Na floresta moravam dois gigantes ferozes que viviam matando quem passava por perto. O rei mandou que Mata-Sete fosse prender os dois gigantes. Mata-Sete foi em procura dos gigantes, mais morto do que vivo, e, assim que ouviu as pisadas dos dois, escondeu-se bem escondido. Os dois gigantes chegaram muito cansados e estiraram-se na sombra de umas árvores, para dormir. Mata-Sete, assim que viu os dois agarrados no sono, apanhou uma pedra e atirou com bem força na cabeça de um deles. O gigante acordou, passou a mão na cabeça, olhou para todos os lados e continuou no sono. Vai Mata-Sete e joga outra pedra no segundo gigante. Este fez o mesmo, mas não vendo vivalma dormiu de novo. Mata-Sete repetiu a pedrada. O gigante acordou e balançou o companheiro com toda vontade, protestando contra aquela brincadeira bruta de bater com uma pedra na cabeça dele. O outro defendeu-se acusando o amigo. Aquietaram-se, mas Mata-Sete seguiu atirando pedras ora num, ora noutro e os dois gigantes terminaram zangados, discutindo, e agarraram-se numa luta de morte, caindo pelos barrancos, derrubando árvores, até que ficaram cobertos de sangue e quase mortos. Mata-Sete tirou a espada de um gigante a acabou de matar os dois grandões, levando as orelhas para mostrar ao rei que o festejou muito.” (Mata-Sete, conto tradicional brasileiro registrado por Câmara Cascudo)