Neste livro que ganhou, em 2015, os prêmios Jabuti e Clarice Lispector (Biblioteca Nacional), chama a atenção o esmerado tratamento que Carol Rodrigues dispensa à linguagem em seus breves contos. Prosa repleta de elipses, que não respeita pontuação, trunca sintaxes, flerta com a poesia. Linguagem arrojada e extremamente expressiva. Seus enredos são intuitivos, de estrutura fluida, borrada, habitados por heróis de chinelo de dedo, poeira de beira de estrada, cheiro de pão na chapa. Não deixe de ler os contos Onde acaba o mapa e Sem vista para o mar.

A AUTORA

Nome

Carol Rodrigues

Nascimento

1985, Rio de Janeiro (RJ), Brasil.

Língua

Portuguesa

Sobre Carol Rodrigues e sua obra

O LIVRO

Título

Sem vista para o mar: contos de fuga

Editora

Edith

Contos

  1. Onde acaba o mapa
  2. Um homem prudente
  3. Entre maio e junho
  4. Sem vista para o mar
  5. Foi em Balbinos
  6. O homem vespertino
  7. Penélope e a roda
  8. O mau lobo
  9. Quando eu parei de pensar
  10. BR 374
  11. Os dentes não sabiam como agir
  12. Mão sem linha
  13. Domino gratias
  14. Das oito às oito
  15. A órbita
  16. Um severo transtorno
  17. Lista de compras para a festa do Miguel
  18. Teorias do eriço
  19. Um forte chamado estrela
  20. A história da gota
  21. A questão ultramarina

Fragmento

“Acaba o milho atira a espiga em arco até o cesto do lixo que o braço do menino nunca erra. Nesse dia ele errou uma senhora avisou como assim e correu ele dessujar a praça já olhavam. Desceu a pedra e topou mais que duas vezes topou três e um sanguinho vazou do dedão. Topou de novo e a tira da havaiana despregou do clipe que já reciclava o chinelo. Olhou pro pé não viu o pé não soube o que fazer apertou dedos no que sobrou da tira. Achou melhor usar a mão usou as duas e veio agachado até a beira da pedra na beira da praça. O pé descalço achou a espiga e colheu a espiga e colocou quase todo o braço dentro do latão. Não podia errar duas vezes.” (Sem vista para o mar, conto de Carol Rodrigues)