Em entrevista concedida em 1977, a já consagrada Clarice Lispector afirmou escrever de forma simples e se considerar uma escritora amadora, para ter liberdade de criar. De fato a simplicidade da sua prosa impressiona, justamente pela força criativa e profundidade psicológica que atinge. A autora consegue expandir os limites significativos das palavras mais corriqueiras. Seus textos são repletos de poesia, reflexões existenciais de rara profundidade, epifanias. Os excelentes contos Feliz aniversário e Os desastres de Sofia são apenas dois dos muitos exemplos do poder narrativo desta autora singular. Clarice Lispector ganhou o prêmio Jabuti em 1961.

A AUTORA

Nome

Clarice Lispector

Nascimento

1920, Tchetchelnik, Ucrânia.

Língua

Portuguesa

Sobre Clarice Lispector e sua obra

O LIVRO

Título

Todos os contos

Editora

Rocco

Contos

  1. O triunfo
  2. Obsessão
  3. O delírio
  4. Eu e Jimmy
  5. História interrompida
  6. A fuga
  7. Trecho
  8. Cartas a Hermengardo
  9. Gertrudes pede um conselho
  10. Mais dois bêbedos
  11. Devaneio e embriaguez de uma rapariga
  12. Amor
  13. Uma galinha
  14. A imitação da rosa
  15. Feliz aniversário
  16. A menor mulher do mundo
  17. O jantar
  18. Preciosidade
  19. Os laços de família
  20. Começos de uma fortuna
  21. Mistério em São Cristóvão
  22. O crime do professor de matemática
  23. O búfalo
  24. Os desastres de Sofia
  25. A repartição dos pães
  26. A mensagem
  27. Macacos
  28. O ovo e a galinha
  29. Tentação
  30. Viagem a Petrópolis
  31. A solução
  32. Evolução de uma miopia
  33. A quinta história
  34. Uma amizade sincera
  35. Os obedientes
  36. A legião estrangeira
  37. A pecadora queimada e os anjos harmoniosos
  38. Perfil de seres eleitos
  39. Discurso de inauguração
  40. Mineirinho
  41. Felicidade clandestina
  42. Restos do carnaval
  43. Come, meu filho
  44. Perdoando Deus
  45. Cem anos de perdão
  46. Uma esperança
  47. A criada
  48. Menino a bico de pena
  49. Um história de tanto amor
  50. As águas do mundo
  51. Encarnação involuntária
  52. Duas histórias a meu modo
  53. O primeiro beijo
  54. A procura de uma dignidade
  55. A partida do trem
  56. Seco estudo de cavalos
  57. Onde estivestes de noite
  58. O relatório da coisa
  59. O manifesto da cidade
  60. As manigâncias de dona Frozina
  61. É para lá que eu vou
  62. O morto no mar da Urca
  63. Silêncio
  64. Uma tarde plena
  65. Tanta mansidão
  66. Tempestade de almas
  67. Vida ao natural
  68. Explicação
  69. Miss Algrave
  70. O corpo
  71. Via Crucis
  72. O homem que desapareceu
  73. Ele me bebeu
  74. Por enquanto
  75. Dia após dia
  76. Ruído de passos
  77. Antes da ponte Rio-Niterói
  78. Praça Mauá
  79. A língua do “p”
  80. Melhor do que arder
  81. Mas vai chover
  82. Brasília
  83. A bela e a fera ou A ferida grande demais
  84. Um dia a menos

Fragmento

“Tive que engolir como pude a ofensa que ele me fazia ao acreditar em mim, tive que engolir a piedade por ele, a vergonha por mim, ‘tolo!’, pudesse eu lhe gritar, ‘essa história de tesouro disfarçado foi inventada, é coisa só para menina!’. Eu tinha muita consciência de ser uma criança, o que explicava todos os meus graves defeitos, e pusera tanta fé em um dia crescer — e aquele homem grande se deixara enganar por uma menina safadinha. Ele matava em mim pela primeira vez a minha fé nos adultos: também ele, um homem, acreditava como eu nas grandes mentiras…” (Os desastres de Sofia, conto de Clarice Lispector)