A obra de Ferreira Gullar, um dos mais importantes poetas da literatura brasileira, inclui também crônicas e ensaios. Independentemente do gênero em que se manifeste, a escrita de Gullar traz a marca da busca por respostas para as inquietações culturais da sua época. O livro Resmungos, vencedor do prêmio Jabuti em 2007, é composto por crônicas originalmente publicadas no jornal Folha de S. Paulo, organizadas em quatro blocos temáticos: ideias, evocações, temas sociais e política. Gullar recebeu também os prêmios Machado de Assis (2005) e Camões (2010) pelo conjunto de sua obra.

O AUTOR

Nome

Ferreira Gullar (José Ribamar Ferreira)

Nascimento

1930, São Luís (MA), Brasil.

Língua

Portuguesa

Sobre Ferreira Gullar e sua obra

O LIVRO

Título

Resmungos

Editora

Imprensa Oficial

Crônicas

  1. Resmungos
  2. Catastrofismos
  3. Zoologia fantástica
  4. A cura pelo afeto
  5. Quixote, um maluco beleza
  6. A máquina de sonhar
  7. Chapéus, bigodes e assobios
  8. A coisa está branca
  9. Alguém fala errado?
  10. O jogo da semântica
  11. Graça besta
  12. O preço da liberdade
  13. E o cronista endoidou…
  14. Este bicho que pensa…
  15. De arma na mão
  16. Ouvir vozes
  17. Um bicho que inventa
  18. Desse pão não comerei
  19. De susto em susto
  20. A bruxa está solta
  21. Irmãos siameses
  22. Qual o desfecho?
  23. Sinal de alerta
  24. Ópera do mensalão
  25. A ilusão do poder
  26. Erro necessário
  27. Vale a pena ver de novo
  28. Estranhezas
  29. A turma da casa do Mário
  30. A fauna do Zeppelin
  31. Ecos do carnaval
  32. Fim de papo
  33. Barulhos
  34. Das grossen sacanagem
  35. Presente de aniversário
  36. O caso da velha
  37. Um homem de moral
  38. Um Natal diferente
  39. A lição do inverno
  40. Arapongas
  41. Insurreição
  42. Um passarinho me contou…
  43. Cidade inventada
  44. Paraíso

Fragmento

“Mas por que estou aqui a relembrar estas coisas? Para deixar claro que nunca tive e não tenho nada contra a participação de “brancos” no desfile das escolas. Tampouco me sinto obrigado a não ver que isso hoje serve a muitos interesses que, na maioria dos casos, não são os dos sambistas e das comunidades onde estas escolas nasceram. Não, não sou nostálgico dos desfiles que duravam quatorze horas, mas os vivi com emoção — a emoção que falta hoje à marcha acelerada das escolas que, como disse mestre Jamelão, não deixa a passista sambar. Sim, sou nostálgico dos grandes sambas-enredo do passado porque os cantei com emoção — a emoção que falta aos de hoje, os quais, por isso mesmo, ninguém sabe de cor. Enfim, pouco ou nada tenho a ver com esse cansativo desfilar de alegorias, custeado por nós, para o enriquecimento e a glória dos bicheiros.” (Fim de papo, crônica de Ferreira Gullar)