Os contos de João Antônio nos mergulham no submundo da malandragem, becos, mesas de sinuca à penumbra. O autor narra em linguagem elaborada a partir da fala real dos malandros, prostitutas, leões de chácara. Parece fala, mas não é. Se fosse, seria mera transcrição. Sua linguagem é construção pensada, de frases curtas, entrecortadas, repetições, subentendidos. Vocabulário rico, estudado. Fala que vira estilo. Não há espaço para sentimentalismo no contexto duro de seus contos, mas o olhar de João Antônio sobre suas criaturas é sempre sensível, benevolente. O autor recebeu o prêmio Jabuti em 1964.

O AUTOR

Nome

João Antônio Ferreira Filho

Nascimento

1937, São Paulo (SP), Brasil.

Língua

Portuguesa

Sobre João Antônio e sua obra

O LIVRO

Título

Contos reunidos

Editora

Cosac Naify

Contos

  1. Busca
  2. Afinação da arte de chutar tampinhas
  3. Fujie
  4. Retalhos de fome numa tarde de G.C.
  5. Natal na cafua
  6. Frio
  7. Visita
  8. Meninão do caixote
  9. Malagueta, Perus e Bacanaço
  10. Leão de chácara
  11. Três cunhadas — Natal 1960
  12. Joãozinho da Babilônia
  13. Paulinho Perna Torta
  14. Tony Roy Show
  15. Dois Raimundos, um Lourival
  16. Milagre chué
  17. Excelentíssimo
  18. Paulo Melado do Chapéu Mangueira Serralha
  19. Dedo-duro
  20. Bruaca
  21. Guardador
  22. Maria de Jesus de Souza (Perfume de gardênia)
  23. Publicitário do ano
  24. Televisão
  25. Abraçado ao meu rancor
  26. Sufoco
  27. Uma força
  28. Eguns
  29. Amsterdã, ai
  30. Tatiana Pequena
  31. Nas entranhas
  32. Torcedor
  33. Um preso
  34. Bolo na garganta
  35. A um palmo acima dos joelhos

Fragmento

“Mas era um grande taco. Perdendo é que era grande. Mineiro, mulato, teimoso, tanta manha, quanta fibra. Um brigador. Um dos poucos que conheci com um estilo de jogo. Bonito, com puxadas, com efeitos, com um domínio da branca! Classe. Joguinho certo, ô batida de relógio, aparato, fantasia, cadência, combinação, ô tacada de feliz acabamento! A sua força eram as forras. Os revides em grande estilo. Porque para Tiririca tanto fazia jogar uma hora, doze horas ou dois dias. O homem ficava verde na mesa, curtia sono e curtia fome, mas não dava o gosto.” (Meninão do caixote, conto de João Antônio)