Livro das mil e uma noites é uma coleção de histórias originárias do Oriente Médio e Sul da Ásia. A compilação das versões em língua árabe se inicia no século IX. No início do século XVIII, elas são traduzidas na Europa e se popularizam no Ocidente. Não existe uma versão universalmente aceita como definitiva desta obra, pois os manuscritos diferem no número de histórias, conjunto escolhido e enredo de alguns dos contos. O que não varia é a macroestrutura que dá unidade aos relatos, independentemente da versão: o rei Xariar, encolerizado pela traição de sua primeira esposa, decide ter uma noiva diferente por noite, ordenando a sua morte na manhã seguinte. Xerazade, filha de um conselheiro do rei, se voluntaria, contra a vontade do pai, para quebrar o mórbido padrão. Ela relata histórias fascinantes que cativam o rei, interrompendo e encadeando-as de forma que ele sempre adie, todas as manhãs, a decisão de matá-la para ouvir a próxima narrativa. O rei termina por desistir da execução após a milésima primeira noite.

O LIVRO

Título

Livro das mil e uma noites (volumes 1, 2, 3 e 4)

Autor

Anônimo

Língua

Árabe

Tradução

Mamede Jarouche

Editora

Biblioteca Azul

Saiba mais sobre a obra

Contos

  1. Em nome de Deus, o Misericordioso, o Misericordiador em que está a minha fé
  2. O gênio e a jovem sequestrada
  3. O burro, o boi, o mercador e sua esposa
  4. O mercador e o gênio
  5. O primeiro xeique
  6. O segundo xeique
  7. O pescador e o gênio
  8. O rei Yunan e o médico Duban
  9. O mercador e o papagaio
  10. O filho do rei e a ogra
  11. O rei das ilhas negras e sua esposa
  12. O carregador e as três jovens de Bagdá
  13. O carregador
  14. O primeiro dervixe
  15. O segundo derviche
  16. O invejoso e o invejado
  17. O terceiro derviche
  18. Jafar, o vizir
  19. A primeira jovem, a dona da casa
  20. A segunda jovem, a chicoteada
  21. As três maçãs
  22. Os vizires Nuruddin Ali, do Cairo, e seu filho Badruddin Hasan, de Basra
  23. O corcunda do rei da China
  24. O jovem mercador e sua amada
  25. O jovem de Bagdá e a criada de madame Zubayda
  26. O jovem de Mossul e sua namorada ciumenta
  27. O jovem manco e o barbeiro de Bagdá
  28. O barbeiro de Bagdá e seus irmãos
  29. O primeiro irmão do barbeiro
  30. O segundo irmão do barbeiro
  31. O terceiro irmão do barbeiro
  32. O quarto irmão do barbeiro
  33. O quinto irmão do barbeiro
  34. O sexto irmão do barbeiro
  35. Nuruddin Ali Bin Bakkar e Samsunnahar
  36. Anisuljalis e Nuruddin Ali Bin Haqan
  37. Jullanar, a marítima, e seu filho Badr
  38. O rei Qamaruzzaman e seus filhos Amjad e Asad
  39. História completa de Qamaruzzaman e seus filhos
  40. Nima e Num
  41. O rei Muhammad Bin Sabik e o Hawaja Hasan
  42. Sayf Almuluk e Badiat Aljamal
  43. O naufrágio do vizir Said
  44. As aventuras do xeique Alhaylahan Bin Haman
  45. A jovem sequestrada pelo gênio
  46. Os sete irmãos e o xeique
  47. A mulher, seu irmão e as feiticeiras
  48. O primeiro acorrentado
  49. O pássaro-gênio e a bela
  50. O segundo acorrentado
  51. O velho que incensava o ídolo
  52. Os xeiques Munamnam e Awbatan
  53. O homem sequestrado
  54. O xeique Albaz Alashab, o cambista e sua esposa
  55. O rei Qasim Alamar e sua filha Sitt Alaqmar
  56. O homem sequestrado pela gênia
  57. O rei Baht Zad e seus dez vizires
  58. O mercador de má sorte
  59. O mercador apressado e seu filho ponderado
  60. A paciência de Abu Sabir
  61. Bazrad, o príncipe impaciente
  62. A paciência da asceta
  63. O rei e o auxílio divino
  64. O rei e o santo homem
  65. O perdão e o rei injusto
  66. O rei Ilan Sah e o leal Abu Tamam
  67. O rei e seu enteado
  68. O rei Bahriz, seu filho e o destino
  69. Sindabad, o navegante
  70. Primeira viagem
  71. Segunda viagem
  72. Terceira viagem
  73. Quarta viagem
  74. Quinta viagem
  75. Sexta viagem
  76. Sétima viagem
  77. O rei Sah Baht e o seu vizir Rahwan
  78. O homem de Hurasan, seu filho e o preceptor
  79. O perfumista, sua esposa e o cantor
  80. O rei conhecedor de essências e seu filho
  81. O homem rico que casou a filha com um velho pobre
  82. O sábio e seus três filhos
  83. O rei que se apaixonou por uma imagem
  84. O lavadeiro, sua esposa e o soldado
  85. O mercador, o rei e a velha
  86. O estúpido curioso
  87. O rei e o coletor de impostos
  88. Sentenças de Davi e Salomão
  89. A mulher e o ladrão
  90. Os três homens e Jesus Cristo
  91. A aventura do discípulo de Jesus
  92. O rei que recuperou o reino e o dinheiro
  93. O homem morto pela própria cautela
  94. O homem gentil com o desconhecido
  95. O homem rico que perdeu o dinheiro e o juízo
  96. Hublus, sua esposa e o sábio
  97. A devota piedosa acusada de corrupção
  98. O empregado e a jovem
  99. Galeno e o tecelão que virou médico a mando da esposa
  100. Os dois ladrões que fizeram artimanhas um contra o outro
  101. Os espertalhões e o cambista
  102. O ladrão decoroso
  103. O falcão e o gafanhoto
  104. O rei e a esposa do seu secretário
  105. A velha e a esposa do mercador de tecidos
  106. A bela mulher e o homem feio
  107. O rei que tudo perdeu e depois recuperou
  108. O rapaz de Hurasan, sua irmã e sua mãe
  109. O rei da Índia e seu vizir
  110. Alaudin e a lâmpada mágica
  111. A insônia do califa
  112. Os amantes de Basra
  113. Andanças do califa por Bagdá
  114. Os sofrimentos do jovem Manjab
  115. A investigação de Jafar
  116. O dervixe, o aprendiz de barbeiro e o sultão
  117. A beduína, seu marido e seu amante
  118. O corno e sua mulher I: o chacareiro
  119. O corno e sua mulher II: o azeiteiro
  120. Os amores de Hayfa e Yusuf
  121. O sofrimento das dez criadas
  122. Os três filhos do rei da China
  123. O bravo guerreiro e sua mulher
  124. O valentão e sua mulher
  125. O homem que não calculava e a sua mulher
  126. A mulher do Cairo e os três tarados
  127. Conselhos a reis
  128. A justiça divina e os encarregados dos homens
  129. O rei Dawud e o dinheiro público
  130. Histórias sobre o califa Umar
  131. O asceta e o califa
  132. Matar ou perdoar
  133. Jesus e os mentirosos
  134. A coragem segundo Muhammad
  135. Musa e o demônio
  136. Máximas e sentenças (I)
  137. Jesus, os três homens e o tesouro
  138. O arcanjo da morte e o rei poderoso
  139. O arcanjo da morte e o rei endinheirado
  140. O arcanjo da morte e o rei tirânico
  141. Sulayman e o homem que quis fugir do arcanjo da morte
  142. Alexandre Bicorne entre dois crânios
  143. Três histórias sobre o último suspiro
  144. Admoestações a um líder
  145. O rei da Pérsia e as ruínas
  146. O fiscal opressor e o pobre pescador
  147. Musa e a justiça divina
  148. A felicidade segundo Alexandre
  149. A justiça do rei e a dos súditos
  150. A Pérsia e as alcaparras
  151. O elogio dos antigos
  152. Três reis na vinha
  153. Umar e a família esfomeada
  154. Quatro histórias de Umar Ibn Abdulaziz
  155. Ordens são ordens
  156. Os reis, a justiça e a tirania
  157. Kisra e a preservação do reino
  158. Quem merece ser rei, segundo Aristóteles
  159. Histórias de Alexandre
  160. Máximas e sentenças (II)
  161. O peregrino, a miséria e a tirania
  162. Máximas e sentenças (III)
  163. A justiça de Ziyad
  164. Como dividir o dia do soberano
  165. Kisra e seus encarregados
  166. Almamun e seus encarregados
  167. Máximas e sentenças (IV)
  168. Kisra e o aumento de impostos
  169. Máximas e sentenças (V)
  170. A educação dos príncipes
  171. A fuga pode ser vitória
  172. Máximas e sentenças (VI)
  173. Ladrão sem querer
  174. A caça da corrupção
  175. A sagacidade de Ardasir
  176. Máximas e sentenças (VII)
  177. Cuidados com os mensageiros
  178. O dinheiro do rei e a necessidade pública
  179. Os reis e as audiências públicas
  180. Yazdagard e o cavalo
  181. A administração da justiça
  182. Os reis e os bons vizires
  183. A retidão do rei Sulayman
  184. Máximas e sentenças (VIII)
  185. A importância dos escribas e da escrita
  186. A elevação dos desígnios
  187. Reis não devem ser avarentos
  188. Governo e comércio
  189. O desapego de Amara
  190. O desapego dos barmécidas
  191. O desapego e a tocadora de alaúde
  192. Mais uma história de desapego dos barmécidas
  193. O desapego de Kisra
  194. O desapego e a traição
  195. Um falsificação oportuna
  196. Qual o clã mais generoso?
  197. A dignificação do nome
  198. Máximas e sentenças (IX)
  199. Um homem misterioso
  200. Máximas e sentenças (X)
  201. A bebida e o intelecto
  202. O califa e a súplica do seu colega inconveniente
  203. O grou, sua mulher e o caranguejo
  204. Os francolins e os reis de taifas
  205. O menino, a pega e o zodíaco agourento
  206. Anedotas sobre gente avarenta
  207. Casos de Muzabbid, o medinês
  208. Anedotas sobre defeitos físicos
  209. A alegria, segundo uns e outros
  210. O divertido Asab e o governador avarento
  211. Anedotas sortidas
  212. O avarento e a carne
  213. É comer e morrer
  214. O presente do avarento embriagado
  215. O avarento e o seu filho
  216. Água fresca para a mãe do avarento
  217. Tal pai, qual filho
  218. As fases do homem, segundo a mulher
  219. O sultão mameluco Baybars e os seus capitães
  220. O primeiro capitão e a mulher ambígua
  221. O segundo capitão e a mulher ardilosa
  222. O terceiro capitão e a punguista
  223. O quarto capitão e a ladra
  224. O quinto capitão e a mulher delatada
  225. Segunda história do quinto capitão: a amante do desembargador
  226. O sexto capitão, seu amigo mercador e a velha golpista
  227. O sétimo capitão, seu amigo mercador e a arapuca
  228. Salvo por um triz
  229. Mais uma arapuca
  230. A vingança da sequestrada
  231. O oitavo capitão e a cantora com os manetas
  232. O nono capitão e as moedas roubadas
  233. O décimo capitão, o capitão de Damasco e o ouro roubado
  234. O décimo primeiro capitão e o ladrão justo
  235. O décimo segundo capitão, seu amigo e o ex-criado
  236. O décimo terceiro capitão e o intrujão assassinado
  237. O salteador no meio do trigo
  238. O velho malandro
  239. O décimo quarto capitão, o ladrão cruel e o francolim
  240. O décimo quinto capitão, o assassino e o crocodilo
  241. O décimo sexto capitão, salvo sem querer
  242. Segunda história do décimo sexto capitão: o mercador e a concubina do califa
  243. Epílogo
  244. Ali Baba, os quarenta ladrões e a escrava Murjana

Fragmento

“Eu tive notícia, ó rei venturoso, de que havia em Bagdá um homem chamado Sindabad, o carregador, que certo dia transportou um pesado carregamento até um local distante debaixo de um sol bem forte, sendo então prejudicado pelo cansaço e exaurido pelo esforço. O calor intenso fez-lhe escorrer o suor e aumentar a preocupação. Passou então por uma ruela de brisa suave e eflúvio agradável, da qual emanavam odores de sândalo e almíscar. Largou o fardo dos ombros, quase desmaiado de cansaço, e se sentou para descansar. Ouviu então, de uma casa situada no ponto mais elevado da ruela, sons de alaúde e outros instrumentos musicais; aspirou aroma de flores e de saborosas comidas; viu criados e escravos parecidos com luas entrando e saindo, vestidos de roupas opulentas; viu coisas que deliciavam os olhos e propiciavam repouso à alma; erguendo o olhar para o céu, disse, movido pelo cansaço excessivo e pelo esgotamento: “Ó criador de tudo, em você busco ajuda e perdão dos pecados. Não me oponho ao que você quer, mas por que enriquecer esse daí, que vive na luxúria, enquanto mal consigo matar a minha fome com pão de cevada? O outro goza de delícias sem labuta nem cansaço, e reúne tudo quanto é esplendoroso!” (Sindabad, o navegante, conto do Livro das Mil e Uma Noites)