Luigi Pirandello, mais conhecido como um dos maiores nomes do teatro italiano, também possui trabalho notável como contista. Suas histórias, caracterizadas pela dramaticidade, humor e ironia, constroem um universo trágico, pessimista, no qual incompreensão, incomunicabilidade, loucura e solidão são temas recorrentes. Todos os quarenta contos apresentados nesta coletânea tornaram-se também peças de teatro. Pirandello recebeu o prêmio Nobel de literatura em 1934.

O AUTOR

Nome

Luigi Pirandello

Nascimento

1867, Agrigento, Itália.

Língua

Italiana

Sobre Luigi Pirandello e sua obra

O LIVRO

Título

Quarenta novelas

Tradução

Maurício Santana Dias

Editora

Companhia das Letras

Contos

  1. Limões da Sicília
  2. O medo
  3. O dever do médico
  4. O ninho
  5. Pense nisso, Giacomino!
  6. A mosca
  7. A senhora Frola e o senhor Ponza, seu genro
  8. A verdade
  9. Certas obrigações
  10. A talha
  11. Tirocínio
  12. A patente
  13. A senhora Speranza
  14. Não é uma coisa séria
  15. Quando se entende o jogo
  16. Xale negro
  17. O outro filho
  18. Apelo à obrigação
  19. Tudo certo
  20. A vigília
  21. ‘Vexilla regis…’
  22. A morta e a viva
  23. Stefano Giogli, um e dois
  24. Personagens
  25. A tragédia de um personagem
  26. Conversas com personagens
  27. O imbecil
  28. Com a morte em cima
  29. Os aposentados da memória
  30. O quarto à espera
  31. O senhor da nave
  32. A amiga das esposas
  33. A sombra do remorso
  34. Ou de um ou de nenhum
  35. “Leonora, adeus!”
  36. O filho trocado
  37. No abismo
  38. A realidade do sonho
  39. Cinci
  40. O estorninho e o anjo cento e um

Fragmento

“Agora via, naquele escuro, o abismo que se abrira entre os dois. Não, aquela lá não era mais ela, a sua Teresina. Estava tudo acabado… fazia tempo, fazia tempo, e ele, tolo, ele, estúpido, só se dava conta agora. O povo da cidade havia avisado, e ele obstinara em não acreditar… E agora, que papel fazia ali, naquela casa? Se todos aqueles senhores e se o próprio criado soubessem que ele, Micuccio Bonavino, moera os ossos para vir de tão longe, trinta e seis hora de trem, ainda seriamente se acreditando o noivo daquela rainha, quanta risada dariam os senhores e o criado e o cozinheiro e o ajudante e Dorina! Quanta risada, se Teresina o arrastasse diante deles, ali na sala, dizendo: “Olhem, este pobre coitado, tocador de flauta, diz que quer ser meu marido!”. Ela mesma lhe prometera, é verdade; mas como podia supor que um dia chegaria a tal ponto? E era também verdade, sim, que ele mesmo lhe abrira aquele caminho e a incentivara a trilhá-lo; mas, aí está, ela fora tão longe, tão longe, que ele, parado ali, sempre o mesmo, tocando flauta aos domingos na praça da cidade, como ele poderia alcançá-la? Nem em sonho… E o que eram aqueles trocadinhos que gastara com ela, agora transformada numa grande senhora? E envergonhava-se só de pensar que alguém pudesse suspeitar que ele, com a sua chegada, quisesse reivindicar algum direito por causa daqueles trocados miseráveis. Naquele momento lembrou que trazia no bolso o dinheiro enviado por Teresina durante a doença dele. Enrubesceu: sentiu o opróbrio e meteu a mão no bolso do casaco onde estava a carteira.” (Limões da Sicília, conto de Luigi Pirandello)