Vencedor do prêmio Jabuti em 2016, este belo livro de Natalia Borges Polesso traz histórias protagonizadas por mulheres lésbicas em diversas fases e situações de vida. Apesar de o elo temático da obra ser a homossexualidade feminina, a sensibilidade aguçada da autora o expande. Amora fala do amor em seu sentido amplo, irrestrito. Literatura que recorta, marca posição, mas transcende. Os contos Flor, flores, ferro retorcido Marília acorda são especialmente memoráveis.

A AUTORA

Nome

Natalia Borges Polesso

Nascimento

1981, Bento Gonçalves (RS), Brasil.

Língua

Portuguesa

Sobre Natalia Borges Polesso e sua obra

O LIVRO

Título

Amora

Editora

Não Editora

Contos

  1. Primeiras vezes
  2. Não desmaia, Eduarda
  3. Vó, a senhora é lésbica?
  4. O interior selvagem
  5. Flor, flores, ferro retorcido
  6. Botinas
  7. Minha prima está na cidade
  8. Dreaming
  9. Os demônios de Renfield
  10. Dramaturga hermética
  11. Como te estraño, Clara
  12. Marília acorda
  13. Diáspora lésbica
  14. Amora
  15. O coração precisa ser pego de surpresa para ser incriminado
  16. Deus me livre
  17. Umas pernas grossas
  18. As tias
  19. Morder a língua
  20. Wasserkur ou alguns motivos para não odiar os dias de chuva
  21. Tia Marga
  22. Inventário da despedida: um conto em quatro distâncias
  23. Molotov
  24. Bocejo
  25. Saliva
  26. Punhos
  27. Valsa
  28. Sono
  29. Estranho
  30. Memória
  31. Fracasso
  32. Templo
  33. Profanação

Fragmento

“Flor, o nome dela era flor. E ela parecia uma flor mesmo. Na verdade, o nome dela era Florinda. Eu perguntei para a Celoí no dia seguinte e perguntei sobre a história da doença. A Celoí revirou os olhos como quem chama alguém de ignorante, não disse nada, me pegou pela mão e me levou até o quarto dela, pegou um ursinho peposo e duas barbies. Muito bem, não eram barbies, eram imitações, mas davam para o gasto e serviriam muito bem para o que ela me explicou. Eu tinha oito anos, a Celoí tinha onze ou doze. Ela pegou uma boneca e o ursinho e começou a explicação. Esse é o homem e essa é a mulher, quando os dois se amam, vão para o quarto e ficam assim — e colocou um encima do outro –, teu pai e tua mãe fazem isso e é por isso que tu existe e teu irmão também. Eu sacudi a cabeça e tentei acompanhar o raciocínio. Depois ela pegou as duas bonecas, fez a mesma coisa e disse que tinha gente que fazia daquele jeito. Isso é machorra, mas é feio falar isso, meu pai disse.” (Flor, flores, ferro retorcido, conto de Natalia Borges Polesso)