Nelson Rodrigues é cronista de espírito rebelde e percepção apurada. Frasista talentoso, cunhou diversas expressões que se cristalizaram na cultura brasileira. O “óbvio ululante”, os “idiotas da objetividade”, o “cretino fundamental” e muitas outras invenções estilísticas tornaram-se marcas registradas da sua prosa refinada, irônica, inspirada. O autor faz com que uma mera partida de futebol, tema de alguns de seus melhores textos, se transfigure em batalha épica: jogo de paixões, choque de destinos, glórias arrebatadoras e derrotas catastróficas. Nelson Rodrigues foi vencedor do prêmio Jabuti em 1994.

O AUTOR

Nome

Nelson Falcão Rodrigues

Nascimento

1912, Recife (PE), Brasil.

Língua

Portuguesa

Sobre Nelson Rodrigues e sua obra

O LIVRO

Título

O reacionário: memórias e confissões

Editora

Agir

Crônicas

  1. O mistério da elegância
  2. A viagem fantástica do Otto
  3. Tempo de papelotes
  4. O Dr. Alceu contra o Dr. Alceu
  5. O pai anônimo
  6. O vício doce e vil
  7. Terra em transe
  8. A influência da minissaia nas leis da Economia
  9. O menino de Pernambuco
  10. A menina
  11. Um paisagem sem paulistas
  12. Esse Stans Murad
  13. Os passarinhos milionários
  14. A desumanização da manchete
  15. Mário Filho
  16. Os mortos em flor
  17. A montanha mágica
  18. A casa dos mortos
  19. Mudou a história americana
  20. Eis um brasileiro que não é uma casaca
  21. Estrela
  22. Uma bica entupida há mil anos
  23. Crônica do nosso tempo
  24. A folha de parreira
  25. A mulher da gargalhada
  26. História de Lemos Bexiga
  27. O sanduíche encantado
  28. A devolução da alma imortal
  29. Paulo Rodrigues
  30. Arte de senhoras gordas
  31. E disse a noiva: — As mulheres só deviam amar meninos de 17 anos
  32. Pessoas, mesas e cadeiras boiavam no caos
  33. O autor sem apoteose
  34. Nascera para ser um pobre diabo
  35. Quase enforcaram o autor como um ladrão de cavalos
  36. A atriz inteligente
  37. Colégio religioso
  38. O nosso anticomunismo odeia a Mercedes…
  39. Os setenta anos de Gilberto Freyre
  40. A morte do ser humano
  41. O homem que ainda fala em “Pátria”
  42. Vamos salvar o Piauí do seu ufanismo
  43. Memória
  44. Lembranças de Campos do Jordão
  45. As ações
  46. A grande viúva
  47. Os cínicos
  48. O Piauí admite tudo, menos espinhas
  49. Segredos da vida jornalística
  50. Palavras aos inteligentíssimos diretores paulistas
  51. É uma selva de redatores, repórteres e estagiárias
  52. Esse moço, Stans Murad
  53. Crime contra o Piauí
  54. A bela vitória brasileira
  55. O Palhares com Eros, Marx e Freud
  56. Sua vida foi um momento da consciência brasileira
  57. Os estudantes são uma aristocracia intocável
  58. Kafka
  59. O trem fantástico
  60. Casamento sem palavras
  61. O grande homem
  62. Os que propõem um banho de sangue
  63. As insônias exemplares
  64. Pisado até morrer
  65. Piauí já tem seu estadista
  66. A chanchada histórica
  67. Ninguém torce pelo Flamengo
  68. Era o Bonsucesso sem Nordeste e com esquadra
  69. Notas sobre o erotismo internacional
  70. A morte, essa velha senhora
  71. Marxismo e asma
  72. A Semana do Exército
  73. Nada mais antigo do que o passado recente
  74. Os mortos sem espelho
  75. À sombra dos crioulões em flor
  76. E, de repente, viu a morte, cara a cara
  77. Quem extravasa ódio?
  78. Temos, no Rio, uma fabulosa mulher de papel
  79. Degradação da vida e da morte
  80. Um senhor chamado Gilberto Freyre
  81. O maior berro do mundo
  82. O sono dos círios
  83. O grito
  84. A cruz perdida
  85. Memória n. 24
  86. Memória n. 25
  87. O paletó
  88. Memória n. 27
  89. A hediondez caça-níqueis
  90. E o ator teve que brigar, fisicamente, com o Itamaraty
  91. O século XX acaba sem ter começado
  92. O velho Machado teria escrito uma página divina sobre o novo Senado
  93. Moacir Padilha
  94. Conversas brasileiras com o presidente Médici
  95. O grande ausente
  96. Teatro e vida
  97. Inimiga pessoal da mulher
  98. A Perimetral Norte
  99. A lagartixa na maionese
  100. O jovem sábio
  101. Adeus à sordidez
  102. E, de repente, todos perceberam o óbvio ululante: — era uma catástrofe idiota
  103. Bochechas e papadas
  104. Este mundo sem nenhum amor
  105. O nu mata o passado
  106. História da bofetada
  107. Fazer ou não fazer psicanálise de grupo
  108. O brasileiro, esse imperialista
  109. Era um pesadelo com cem mil defuntos
  110. O canalha n. 3
  111. A eternidade do canastrão
  112. O filhote do Demônio
  113. Foi um pesadelo humorístico
  114. As palavras corrompidas
  115. Saiu baratíssima a Apolo 8
  116. Jovens e velhos
  117. O milionário não sabe comer
  118. É a única solidão do Brasil
  119. Censura
  120. Marido de esposa “simpática”
  121. A bandeira humilhada e ofendida
  122. Meditação sobre o impudor
  123. A nudez mais humilhada e mais ofendida
  124. Inteligência invertebrada
  125. O grande inimigo do escrete: — o “entendido”
  126. Nunca foi tão vivo o “padre de passeata”
  127. As duas realidades
  128. A morte da crítica literária
  129. História de mulher
  130. Meu pai

Fragmento

“E ele, só pensando na volta, continuou somando dados sobre o desenvolvimento. Outra descoberta: — não há mulher bonita no país desenvolvido. Pode parecer mentira: — não há. E o Otto explica: — a beleza tem de ser uma exceção. A partir do momento em que todos são bonitos, ninguém é bonito. A norueguesa é sempre igual a outra norueguesa. Os noruegueses são parecidos entre si como soldadinhos de chumbo. E olhando para todos os lados, e não vendo um único bucho, o Otto começou a sentir um absurdo tédio visual. Como se não bastasse a padronização de caras, corpos, costumes, usos, ideias, valores, há também a estandardização da paisagem. Tudo prodigiosamente igual. Aquele que viu uma paisagem norueguesa pode ir tratar da vida, porque já conhece todas as outras paisagens. É trágica a falta de imaginação da paisagem, no país desenvolvido.” (A viagem fantástica do Otto, crônica de Nelson Rodrigues)