As narrativas de Osman Lins são marcadas pela transgressão formal e intensidade. Sua linguagem é solene, lírica, trágica. Na elaboração de seus enredos intricados, o autor rompe relações de causalidade, ousa, geometriza. Nomeia personagens com símbolos gráficos inusitados. Suas metáforas são belas, impactantes. Em Nove, novena, Osman Lins mescla elementos díspares com excelentes efeitos de sentido: no conto Noivado, discorre sobre insetos enquistados em janelas para nos falar de fracasso, incomunicabilidade no amor; em Perdidos e achados, dramatiza a evolução da vida marinha para nos falar de perda, fragilidade. Pano de fundo das histórias, o Nordeste brasileiro empresta cores, cheiros, igrejas coloniais, ruas de pedra.

O AUTOR

Nome

Osman da Costa Lins

Nascimento

1924, Vitória de Santo Antão (PE), Brasil.

Língua

Portuguesa

Sobre Osman Lins e sua obra

O LIVRO

Título

Nove, novena: narrativas

Editora

Companhia das Letras

Contos

  1. O pássaro transparente
  2. Um ponto no círculo
  3. Pentágono de Hahn
  4. Os confundidos
  5. Retábulo de Santa Joana Carolina
  6. Conto barroco ou unidade tripartita
  7. Pastoral
  8. Noivado
  9. Perdidos e achados

Fragmento

“∅ Ali, sentado na areia, em roupa de banho, junto à grande barraca de lona azul que nós próprios, do clube, armamos há duas horas e meia, vejo quando Renato, a três metros de mim, diz a última frase. Está de pés descalços, calção negro, camisa vermelha e tem a mão direita estendida, indicando o tamanho do menino. Será por ter perdido muitos bens, e não ter forças para viver o que em troca me foi dado, que então me enche a boca uma alegria raivosa, uma esponja de mel e amoníaco? Tendo presente a noite em que fui sendo despojado, um por um, dos objetos que trazia comigo, para em seguida perder bens ainda maiores, observo quando seu rosto se fende com um ruído seco, tal nos dias de calor intenso os vidros emoldurados.” (Perdidos e achados, conto de Osman Lins)