A prosa de Raymond Carver é realista, minimalista, precisa. O autor narra detalhes aparentemente banais, gestos corriqueiros. Suas personagens operam na frequência do dia a dia, conversam sobre a concretude circundante. São auxiliares de escritório, operários, balconistas. Pessoas da classe média-baixa dos Estados Unidos, habitantes de subúrbios, de pequenas cidades, cujas preocupações giram em torno de fugir do desemprego, beber à porta de trailers, fumar maconha com os vizinhos. Mas a força dos contos de Carver reside no que não está escrito. Suas hábeis descrições dessas vidas aparentemente carentes de excepcionalidade trazem à tona correntes subterrâneas: relações trincadas, prenúncios de rupturas, dramas de solidão, buscas atônitas por alguma porta de saída. O conto Catedral é considerado uma de suas obras-primas.

O AUTOR

Nome

Raymond Clevie Carver Jr.

Nascimento

1938, Clatskanie, Estados Unidos.

Língua

Inglesa

Sobre Raymond Carver e sua obra

O LIVRO

Título

68 contos

Tradução

Rubens Figueiredo

Editora

Companhia das Letras

Contos

  1. Estações tempestuosas
  2. O cabelo
  3. Os aficionados
  4. Possêidon e companhia
  5. Maças vermelhas e lustrosas
  6. Gordo
  7. Vizinhos
  8. A ideia
  9. Eles não são seu marido
  10. Você é médico?
  11. O pai
  12. Ninguém falou nada
  13. Sessenta acres
  14. O que tem no Alasca?
  15. Escola noturna
  16. Cobradores
  17. O que você está fazendo em San Francisco?
  18. A mulher do estudante
  19. Ponha-se no seu lugar
  20. Jerry, Molly e Sam
  21. Por quê, querido?
  22. Os patos
  23. O que acha disso?
  24. Bicicletas, músculos, cigarros
  25. São milhas de verdade?
  26. Sinais
  27. Você poderia ficar quieta, por favor?
  28. Por que não dançam?
  29. Visor
  30. Mr. Coffee e o Sr. Conserta-Tudo
  31. Coreto
  32. Eu conseguia enxergar as menores coisas
  33. Sacos
  34. O banho
  35. Diga às mulheres que a gente vai dar uma volta
  36. Depois do jeans
  37. Tanta água tão perto de casa
  38. A terceira coisa que matou meu pai
  39. Uma conversa séria
  40. A calma
  41. Mecânica popular
  42. Tudo grudava nele
  43. Do que estamos falando quando falamos de amor
  44. Mais uma coisa
  45. Distância
  46. A mentira
  47. O chalé
  48. A morte de Harry
  49. O faisão
  50. Cadê todo mundo?
  51. Tanta água tão perto de casa (Fogos)
  52. Penas
  53. A casa do Chef
  54. Preservação
  55. O compartimento
  56. Uma coisinha boa
  57. Vitaminas
  58. Cuidado
  59. De onde estou ligando
  60. O trem
  61. Febre
  62. A rédea
  63. Catedral
  64. O que você quer ver?
  65. Me telefone se precisar
  66. Sonhos
  67. Vândalos
  68. Lascas

Fragmento

“Kitty esfregou a cara nos chinelos dele e depois virou para o lado, mas logo deu um salto assim que Bill foi para a cozinha e pegou uma das latas empilhadas na pia reluzente. Deixou a gata beliscando sua comida e foi ao banheiro. Olhou-se no espelho, depois fechou os olhos e depois olhou de novo. Abriu o armário de remédios. Achou um frasco de comprimidos, leu o rótulo – Harriet Stone. Um por dia como recomendado – e enfiou no bolso. Voltou à cozinha, pegou uma jarra de água e retornou à sala. Terminou de regar as plantas, colocou a jarra no tapete e abriu o armário de bebidas. Procurou a garrafa de Chivas Regal na parte de trás. Tomou dois goles na garrafa, enxugou os lábios na manga e repôs a garrafa dentro do armário”. (Vizinhos, conto de Raymond Carver)