Sergio Faraco é escritor de prosa enxuta, rigorosa. Seus ambientes rurais e urbanos são descritos de forma precisa, sintética. Desta concisão enganosamente árida brotam personagens de psicologia densa e enredos que abordam questões humanas universais. O autor recebeu o prêmio ABL de Ficção em 1999. Entre seus inúmeros ótimos contos, destacamos Guapear com frangos e Dançar tango em Porto Alegre.

O AUTOR

Nome

Sergio Faraco

Nascimento

1940, Alegrete (RS), Brasil.

Língua

Portuguesa

Sobre Sergio Faraco e sua obra

O LIVRO

Título

Contos completos

Editora

L&PM

Contos

  1. Lá no campo
  2. Aventura na sombra
  3. Dois guaxos
  4. Manilha de espadas
  5. Travessia
  6. Noite de matar um homem
  7. Guapear com frangos
  8. A voz do coração
  9. O voo da garça-pequena
  10. Bugio amarelo
  11. Adeus aos passarinhos
  12. Sesmarias do urutau mugidor
  13. Hombre
  14. Velhos
  15. A língua do cão chinês
  16. Irene
  17. Viagem ao fim do mundo
  18. Clareava o dia
  19. Idolatria
  20. Verdes canas de agosto
  21. Outro brinde para Alice
  22. Três segredos
  23. Sermão da montanha
  24. Uma casa ao pé do rio
  25. Guerras greco-pérsicas
  26. Quatro gringos na restinga
  27. Não chore, papai
  28. Majestic Hotel
  29. Doce Paraíso
  30. A touca de bolinha
  31. Neste entardecer
  32. Um destino para o fundador
  33. Dia dos mortos
  34. Pessoas de bem
  35. A bicicleta
  36. A dama do Bar Nevada
  37. Restos de Gre-Nal
  38. Boleros de Julia Bioy
  39. Procura-se um amigo
  40. Café Paris
  41. A era do silício
  42. Sonhar com serras
  43. Uma voz do passado
  44. Danúbio Azul
  45. Domingo no parque
  46. Um dia de glória
  47. Formosa ex-pintinha
  48. O silêncio
  49. Um aceno na garoa
  50. Madrugada
  51. No tempo do Trio Los Panchos
  52. Conto do inverno
  53. Saloon
  54. Na rua escura
  55. Dançar tango em Porto Alegre
  56. A enchente
  57. Os negros do Quênia
  58. Legião estrangeira
  59. O prisioneiro de Gaspra
  60. Depois da primeira morte

Fragmento

“Quando o tropeiro Guido Sarasua morreu afogado, aquele López foi um dos que tresnoitaram o Ibicuí rio abaixo e rio acima, na obrigação de não deixar corpo de homem sem velório. Chovera demasiado nos primeiros dias de novembro, as águas se engaruparam nas areias, fazendo espalho nos baixios, corredeiras em grotões que davam voltas e iam alcançar mais adiante o rio, se entreverando nele com guascaços de espuma, marolas caborteiras e um rumor de tropa sob a terra. Desmerecendo o aconselho da razão, aventurara-se o Sarasua à louca travessia e agora jazia debaixo daquela aguaçal endemoniado, pasto e repasto num farrancho de traíras. Encontraram a canoa de borco, presa nos galhos de um salgueiro, e assim começou o resgate em que figuravam aquele López e mais certo Honorato pescador e mais um chacreiro e seu filho maior e outros que não vêm ao caso.” (Guapear com frangos, conto de Sergio Faraco)