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Bolsa

Domingo, metrô esvaziado. Minha estação é sempre a próxima. Saio do vagão, entro no seguinte, a caixa de doces na mão. Compra pra me ajudar! grito. A venda é rara. E pelo doce, não pela ajuda.

Ela está sentada bem ao lado da porta, cochila. Velha já, cabelo ruivo tingido, óculos verdes, desses de grife. Colarzão, vestido floreado. Toda bacana. A bolsa, enorme, solta no colo.

Facinho. Na hora de trocar de vagão, levo a bolsa. Quando ela acordar, já era. Carteira, celular, chave do apartamento, do carro, tudo lá. Busco a Nati de carrão na feira, a cara de espanto dela, sorrisão. Rodamos. Fumamos um, depois vamos pro apartamento da velha, comer tudo que tiver na geladeira. E beber vinho, muito. Depois transar na cama grande e macia, o ar-condicionado ligado a mil, até cansar. Fumar mais um depois.

Vai ser assim, bem assim.