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Elevador

A menina estica o braço, alcança a maçaneta, gira. A porta cede, ela ganha o corredor. As hawaianas floridas plec-plec-plec no piso. Espera, filha, tenho que chamar o elevador. O pai preparando a mochila na sala. A mãe no quarto ainda, ocupada com o irmãozinho bebê, que chora, inconsolável.

Plantada em frente à porta da máquina encantada que sobe e desce, ela reflete. Afasta os cabelos, faz um binóculo com as mãos diminutas, espia pelo vidro. Escuridão, só. Franze a testa, aperta os lábios. Suspira.

Elevador! Elevador! grita. Elevador! Nada. Ouve o riso grave do pai. Quer descer correndo pelas escadas, mas a mãe nunca deixa. Espera, filha, o pai já vai aí chamar o elevador. O bebê chora.

Elevador! Elevador! ela grita. Mãos na cintura. E o mundo que nunca obedece.