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Açúcar não precisa. Compre sal, muito. Não o rosa do Himalaia, nem o marinho de Guérande. Cisne mesmo, aquele bem fininho, que empedra nos rins. Quero assistir o pó branco geando sobre o teu prato farto.

Vinho não precisa. Nossas taças estão todas quebradas. Não joguei fora, sei lá por quê, mas não dá pra usar: sangra a boca, em profusão, já tentei. Teu uísque doze anos está quase no fim. Compre.

Não esqueça das frutas e verduras. Estragam rápido, então temos que comê-las logo, sem pensar, uma bênção. Arroz, feijão, massa, molho de tomate, essas coisas teimosas que não perecem, não precisa. Comprei toneladas da última vez. Dá pra ficar uns seis meses sem sair de casa se houver uma guerra, epidemia. Ou se eu partir levando todas as chaves. Ou se eu ficar, lacrando todas as portas e janelas. Ou se eu partir levando todas as chaves e lacrando todas as tuas portas e janelas.

Agora o mais importante: o sabão das roupas. Compre o Omo superconcentrado. Minhas roupas estão com um cheiro estranho, insuportável. As tuas não, não cheiram a nada.